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Inteligência de Ameaças (Threat Intelligence)

A Inteligência de Ameaças (Threat Intelligence, ou TI/CTI) é o processo sistemático de coletar, analisar e aplicar informações sobre adversários cibernéticos, suas motivações, técnicas e infraestrutura.
O objetivo é transformar dados brutos em conhecimento acionável, apoiando decisões estratégicas e táticas de segurança.

Inteligência de Ameaças é incluso na Inteligência de Segurança,seguindo passos similares, mas concentrados em ameaças.


Conceito

A inteligência de ameaças vai além de apenas listar indicadores (hashes, IPs, domínios).
Ela envolve contexto e análise — entender quem, como e por que um ataque ocorre.
Essa inteligência alimenta SIEMs, EDRs, playbooks de SOAR, hunting e resposta a incidentes.

Em essência: dados → informação → inteligência → ação.


Importância

  • Antecipar ameaças: identificar campanhas antes que atinjam a organização.
  • Aumentar contexto: enriquecer alertas com reputação, origem e histórico.
  • Aprimorar priorização: responder primeiro ao que representa maior risco.
  • Guiar hunting e engenharia de detecção: validar hipóteses baseadas em TTPs (Táticas, Técnicas e Procedimentos).
  • Fortalecer decisões estratégicas: apoiar planos de defesa, investimentos e políticas corporativas.

Exemplo prático: se uma campanha de phishing direcionada a bancos latino-americanos está ativa, uma instituição financeira brasileira pode reforçar controles e hunting baseados nas TTPs associadas.


Níveis de Inteligência de Ameaças

A Threat Intelligence é dividida em quatro níveis complementares, cada um com objetivos e públicos distintos.

Nível Foco Exemplos Público-alvo
Estratégico Tendências e riscos globais Relatórios de grupos APT, geopolítica, supply chain Executivos, CISOs
Operacional Campanhas e modos de opeção “Campanha de ransomware ALPHV visando setor de saúde” Gestores de segurança, arquitetos
Tático Técnicas e comportamentos (TTPs/IOAs) Abuso de rundll32.exe, living off the land, persistência via WMI Engenheiros de detecção, threat hunters
Técnico Indicadores observáveis (IOCs) Hashes, IPs, domínios, URLs maliciosos Analistas SOC, automações SIEM/SOAR

Esses níveis se complementam — do “por quê” estratégico ao “como” técnico — formando o ciclo completo de inteligência.


Uso Prático da Threat Intelligence

A inteligência de ameaças pode ser aplicada diretamente em diferentes camadas da operação de segurança:

  1. Enriquecimento de Alertas
  2. Adiciona reputação e contexto a eventos do SIEM/EDR.
  3. Exemplo: classificar um IP como “botnet C2 conhecido” via integração MISP.

  4. Priorização e Risco Contextual

  5. Atribui maior peso a incidentes relacionados a campanhas ativas no setor da empresa.
  6. Exemplo: alertas ligados a ransomware direcionado ao setor financeiro recebem prioridade alta.

  7. Hunting e Validação de Hipóteses

  8. Caçadores de ameaças usam TTPs e IOAs de relatórios de CTI para buscar atividade maliciosa não detectada.
  9. Exemplo: verificar uso de powershell -enc em endpoints após alerta sobre grupo APT específico.

Cautelas e Limitações

Nem toda informação de ameaça é útil por muito tempo — é preciso senso crítico e contexto.

  • IOCs têm vida curta: hashes e IPs mudam rapidamente; use-os como sinais temporários, não como verdade permanente.
  • Foco em comportamentos (IOAs/TTPs): técnicas e padrões mudam menos e são mais duradouros.
  • Valide fontes: evite feeds genéricos ou desatualizados. Prefira fontes confiáveis (MISP, OTX, FS-ISAC).
  • Evite sobrecarga de dados: excesso de inteligência sem curadoria causa alert fatigue.
  • Privacidade e ética: cuidado ao compartilhar informações sensíveis de clientes, parceiros ou funcionários.

“Inteligência sem contexto é apenas ruído.”


Conclusão

A Inteligência de Ameaças é o elo entre o conhecimento global e a defesa local.
Ela permite que organizações passem de uma postura reativa para proativa, antecipando riscos e adaptando defesas em tempo real.
Mais do que dados, Threat Intel é contexto + propósito + ação.

Gancho:
“Saber que um ataque existe é informação.
Saber como ele te afeta é inteligência.”